turistando por salvador

Turistando por Salvador - Diário de Viagem

20:31 Isabela Libório 0

 Como vocês já devem saber, acabei de iniciar meu curso de Arquitetura e Urbanismo lá na UFBA e, olha, nem sei dizer o quanto tô adorando. Resolvi fazer esse post porque nossa professora de Introdução a Arquitetura e Urbanismo sugeriu que comprássemos um caderno e fizéssemos um Diário de Bordo/ de Viagem sempre que passássemos por algum lugar. Mas, assim, o objetivo é que seja um Diário de um estudante de Arquitetura, ou seja, cheio de croquis, observações sobre cada lugar e depoimentos. Se eu gostei dessa ideia? Muito!

 De início, ela pediu que passeássemos pela própria cidade de Salvador utilizando o maior número de transportes públicos possível - pra ter uma visão diferenciada -. Foi aí que eu e mais algumas pessoas da turma nos juntamos para fazer um roteiro - que, por sinal, ficou incrível e eles fizeram tudo de cabeça - e realizá-lo no feriado. Resolvi que compartilharia o passeio com vocês, mas farei algo mais turístico aqui, não direi tudo que escrevi no caderno - pode acabar ficando chato -, serei mais breve. Mesmo assim, o post vai ficar enorme.

 Minha primeira parada foi lá no Comércio, na parte de cima do Elevador Lacerda, pra onde fui de ônibus junto com uma colega que encontrei perto da minha casa. O lugar já é conhecido por sua vista lindíssima da Baía de Todos os Santos, com atrações como Mercado Modelo e o Forte de São Marcelo. Obviamente, paramos para fotografar - infelizmente, não levei a minha câmera por ser muito pesada e indiscreta, só usei o celular e câmera da minha mãe -. 
 Encontramos mais uma colega nesse lugar, descemos o elevador rapidinho - estava bem vazio, era feriado, hehe - e até me impressionei com o fato de que o lugar até estava arrumadinho. Descemos até o ponto e, então seguimos de ônibus, novamente, até a Calçada. Durante o trajeto, fiquei pensando em como Salvador poderia ser ainda mais linda se bem cuidada. Sim, a cidade tem suas belezas naturais, mas os prédios históricos, os monumento e as ruas andam tão largados... É de apertar o coração.

 Descendo do ônibus, seguimos direto até a Estação de Trem da Calçada e, imediatamente, me senti transportada para outro século. Foi minha primeira vez na Estação - e primeira vez de trem em Salvador, pois é - e achei o lugar incrível. Aliás, isso é algo interessante no curso de Arquitetura: nosso olhar diante das coisas muda muito, começamos a observar todos os detalhes e achar lindas coisas que, normalmente, não acharíamos - e eu adoro isso -. O lugar tem muita cara de filme, a arquitetura cheinha de detalhes e com muito uso do ferro. 
 Sentamos um pouco no lugar, encontramos com mais 3 pessoas do grupo e decidimos conhecer o Plano Inclinado da Calçada-Liberdade. A fila tava bem grande, mas não queríamos perder a oportunidade e eu nunca tinha experimentado esse meio de transporte. Demorou um pouco pra nossa vez chegar, mas ficamos conversando na fila sobre tudo que é assunto e foi divertido. A experiência foi legal, a vista de lá é lindíssima. Tirei foto, mas o reflexo do vidro estragou ): Pra quem tiver curiosidade de ver como é o tal Plano Inclinado, clique aqui. Subimos, ficamos lá na cabine mesmo e descemos de volta.

 Antes de comprar nossa passagem de trem na Estação, fomos observar - e tirar fotos - de uma Maria-Fumaça incrível de 1860 que estava lá em exposição. O legal é que tinha um vagão mais moderno parado a alguns metros e pudemos comparar um com o outro, a diferença era clara e foi muito legal me sentir ainda mais no passado.
 A gente observou e observou, então compramos nossas passagens e sentamos - não, não tinha banco pra isso - pra esperar com todas as outras pessoas ali. Entrar no trem foi um pouco desesperador, o vão entre o transporte e o chão era enorme e muita gente tentou entrar ao mesmo tempo. Pelo menos, conseguimos sentar, conversamos e observamos a paisagem linda - da qual, infelizmente, não deu pra tirar foto porque o vidro era mega sujo -, enquanto uma senhora cantava - ou melhor, gritava - músicas religiosas do nosso lado, haha. 

 Parte da "viagem" de trem foi por cima do mar e, nossa, que coisa mais linda. Salvador tem tantos tipos encantadores de paisagem e me senti besta por não conhecer esses lugares até aquele dia. Chegando ao nosso destino - Plataforma -, encontramos outra colega que mora pela região e logo perdi o fôlego com a vista: um céu extremamente limpo e azul, palmeiras enormes e lindas, a cidade ao fundo e um píer que super me lembrou Capitães de Areia do Jorge Amado. Aliás, havia também os trilhos do trem que deixaram tudo ainda mais lindo e me lembrou, também, o livro. Fiquei encantada e até emocionada, parecia que tinha entrado na história - pra quem não sabe, Capitães da Areia se passa aqui em Salvador e lugares do tipo são citados frequentemente -.
 A fome bateu e almoçamos em um restaurante tão caseiro, com aquela comida de vó e tão barato, além da vista pro mar e as palmeiras... Ai, ai. Devidamente cheios, seguimos pra um lugar que eu não fazia ideia do quão INCRÍVEL seria: o Acervo da Laje, em Plataforma mesmo. O tal é bem escondido, mas estávamos com alguém que já sabia onde era e fomos recebidos pelo idealizador e criador do lugar: Eduardo. Ao entrar, fomos bombardeados de obras de arte em diferentes formas: quadros, fotos, livros, CDs, objetos antigos, máscaras...

 Eduardo nos explicou que resolveu juntar, em um lugar só, artes das pessoas daquela região e, devo dizer, essa ideia foi linda. As paredes dos quartos estavam recheadas de tantas coisas que quase não consegui absorver. Uma das coisas que mais me chamou a atenção foram as fotos tiradas por crianças que estavam expostas nas paredes. Segundo ele, a intenção foi que a cena fosse mostrada pelo olhar dos pequenos, então ficamos admirando o resultado por algum momento.
 Quando sentamos pra conversar um pouco, ele contou que estava muito feliz com o andamento do Acervo. As pessoas estavam doando bastante material, o que provava que estava dando certo. Dentre as tantas coisas que relatou ter ali, ele contou que podíamos encontrar vários livros autografados por autores famosos. Meu coração bateu mais rápido, obviamente, e eu já falei: "vocês devem ter livros do Jorge Amado aqui então, né?". Pra minha felicidade, ele respondeu que tinha TODOS os livros do autor e... adivinha? Autografados. Não me aguentei e fui até o lugar que ele falou pra admirar, "bestamente", essas coisas lindas.

À esquerda, o autógrafo do Jorge Amado em um dos livros. 

 Saímos de lá, dessa vez, devidamente cheios, dessa vez, de inspiração e seguimos para mais um lugar lindo: o Terminal Marítimo da Plataforma para pegar a lancha em direção à Ribeira. Foi aí que vi o tal píer mais de perto e pude imaginar, ainda mais, os personagens de Capitães da Areia correndo e se banhando ali. Compramos as passagens e sentamos pra esperar a lancha enquanto o sol começava a se esconder.
 Já no barco, novamente, a vista era estonteante - já viram que Salvador é cheia de vistas estonteantes? -. O sol estava indo embora de um lado e, do outro, a lua aparecia, tímida, por cima das palmeiras. 
 Já na lancha, a viagem foi rapidinha e gostosa. Adoro observar o mar se mexendo e o reflexo do sol balançando junto. Chegamos logo na Ribeira e, infelizmente, não pude provar o famoso sorvete do lugar ainda, haha. Como o sol já tava se pondo e queríamos ver esse espetáculo lá na Ponta do Humaitá, corremos pra pegar um ônibus e ir pra lá. 

 Eu, até hoje, não tinha visitado a Ponta do Humaitá/Monte Serrat e meus colegas ficaram chocados com o fato exatamente porque o lugar é maravilhoso. Chegando lá, perdi o fôlego quando vi, de cima, o Forte iluminado por luzes coloridas, o céu com uma listra amarela e rosa e as luzes da cidade no fundo. Uau! Eu quero voltar nesse lugar mil vezes. 
Como tirei foto no celular, não ficou muito bom, é TÃO mais lindo pessoalmente.

 Depois de eu repetir algumas mil vezes o quão lindo era aquele lugar, todos sentamos em um muro de frente pro mar, ao lado do Forte, e ficamos conversando, foi dali que tirei essa segunda foto. O Monte Serrat é incrível, tem uma energia muito boa e uma paz muito grande.

 Foi aí que nosso passeio inesquecível terminou! De lá, todos pegaram ônibus para suas respectivas casas e voltamos cheinhos de inspiração e histórias pra contar. Salvador ainda tem muitos lugares para serem explorados e eu não vejo a hora de poder fazer isso mais vezes. Recomendo que conheçam essa minha cidade. Perdão pelo post enooorme, não resisti, espero que tenham curtido!

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